• Da Redação

Mostra de Osvaldo Carvalho questiona a relação das pessoas com as cidades



Vizinhos conversam, corriqueiramente, sobre balas perdidas encontradas no quintal. Os tiros descem do morro e vão parar no asfalto. Nas paredes, nas portas, nos pontos de ônibus. Os projéteis e suas marcas são encontrados em todo canto. A partir de andanças urbanas, Osvaldo Carvalho, artista que vive na Zona Norte do Rio de Janeiro e foi selecionado no 4º Programa de Seleção da Piccola Galleria, passa a interpretar os cenários que encontra na cidade e desenvolve suas pinturas, em um processo que dá novos significados à paisagem. O resultado desses estudos poderá ser visto de 7 de dezembro de 2021 e 30 de janeiro de 2022, presencialmente ou online, na exposição “Balada”, em cartaz na Casa Fiat de Cultura. Plantas, pichações e outdoors, entre outros elementos cotidianos, compõem 16 pinturas em acrílica. Entre o vidro e a tela, projéteis reais, colecionados por Osvaldo ao longo dos anos, completam as obras. A partir delas, são propostos questionamentos sobre a banalidade dos nossos dias e a nossa relação com o mundo. A mostra será inaugurada no dia 7 de dezembro, em um bate-papo online com o artista. O evento é gratuito, com inscrições pela Sympla.


A série de pinturas nasce a partir do momento em que as balas perdidas começam a atingir o ateliê do artista. As marcas, sustos e temeridades acabaram se tornando uma banalidade, com a qual Osvaldo se acostumou. “A percepção dessa indiferença provocou em mim algo mais, que só consegui expurgar com as pinturas que fiz”, conta. Nas obras, cenários do cotidiano, como a janela de uma casa, um portão ou mesmo uma caçamba de lixo, ganham um novo olhar, convidando as pessoas a refletirem sobre a cidade e os espaços urbanos, tão carregados de violências e péssimas condições.


As 16 pinturas ganham um elemento adicional ao serem levadas para a galeria: cada quadro é acompanhado da materialidade de um projétil – antes perdido e, agora, encontrado e exibido. “Cada um emula uma pequena vitrine, resguardando joias forjadas a partir de fragmentos de tecnologia de caça e de morte. Estilhaços que desviaram de seu télos, e que irromperam na vida do ateliê, logo sendo redirecionados para a galeria em exposição”, reflete o curador da exposição, Aldones Nino.


Desde 2019, Osvaldo Carvalho materializa suas impressões sobre a cidade em forma de pintura. E, a partir de 2020, com o início da pandemia,a configuração dos espaços mudou – bem como a própria percepção sobre as ruas, agora, sem o burburinho e a movimentação intensa de pessoas. “Comecei a prestar mais atenção na cidade e, até mesmo, nas pessoas que não conseguiram se isolar e seguem vivendo nas ruas”, relembra o artista. “Balada é um legado que questiona o mundo e o tipo de relação que se pode ter com ele. Convido o espectador a pensar comigo sobre como confrontar as imagens com as representações que a precederam, instigando a memória das pessoas a pensar em outras coisas, a partir de pequenos sinais e vestígios encontrados na pintura”, completa.


A exposição “Balada” é uma realização da Casa Fiat de Cultura, com apoio do Ministério do Turismo, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, patrocínio da Fiat, do Banco Safra e da Gerdau, copatrocínio da Expresso Nepomuceno, da Sada, do Banco Fidis e do Mart Minas. A mostra tem apoio institucional do Circuito Liberdade, do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico (Iepha), do Governo de Minas e do Governo Federal, além do apoio cultural do Programa Amigos da Casa, da Brose do Brasil e da Brembo.



Fonte: Casa Fiat de Cultura.

Imagem: Divulgação.